Não sei qual o critério que a maioria das pessoas usa para escolher quem será o indivíduo abordado por elas no momento de se pedir informações. Se é que existe algum critério.
Eu tenho um e somente um (me senti nas aulas de matemática agora: a parábola se formará no primeiro quadrante do plano cartesiano se e somente se x²=3) critério para isso: distância. Sempre vou abordar a pessoa que estiver mais próxima de mim, a não ser que ela tenha muita cara de psicopata.
Acontece que eu sofro da chamada Síndrome do Balcão de Informações (Crisóstomo, C.S., 2009). Explico: em qualquer local que eu esteja, e de qualquer forma que eu estiver vestida, é sempre para mim que vão pedir informações. Não importa se eu estou sozinha ou acompanhada, nem se existe outra(s) pessoa(s) dentro de um raio de 100m de mim. Pedem informação para mim.
Seguem alguns dados empíricos (quão redundante é isso?).
1) Certa vez fui fazer uma entrevista num canto aqui de São Paulo que eu nunca tinha ido. Como toda pessoa de bom senso deveria fazer, procurei no guia o local e dei uma analisada nos arredores, para saber como chegar, como sair, qual ônibus pegar, essas coisas. Na volta tive carona de mãe, e enquanto esperava num posto de gasolina
lotado de gente, uma pessoa parou do meu lado e disse:
- Onde fica a rua tal?
- Ah, pega ali a segunda direita.
Menos de cinco minutos depois, para um carro. Em mim, e não nos cinco trilhões de funcionários do local:
- Como faço pra chegar na avenida tal tal tal?
- Segue aqui em frente, vai ter uma rotatória, e a partir dela essa avenida aqui muda de nome, vai ser essa aí que você está procurando.
- Obrigada.
Relembrando que eu não morava ali nem conhecia o local até poucas horas antes de estar ali.
2) (Este acontece bastante, pelo menos duas vezes por semana) Estou parada na plataforma do metrô. Existem pelo menos mais três pessoas perto de mim. O indivíduo atravessa a frente das três pessoas e vem perguntar para mim se aquela é a linha que desce no Brás (insira qualquer estação alternativa aqui).
3) Estou viajando no exterior, faz só dois dias que eu cheguei e ainda não conheço quase nada, só sei o caminho do ônibus que teria que pegar durante o mês quase inteiro. Um local passa por diversas pessoas e vem perguntar para mim onde fica a rua x.
4) Estou visitando pela primeira vez a Capitar. Primeira vez que saio sozinha. Estou na parada de ônibus, e pouco antes de desistir de esperar para fazer meu percurso a pé um local me pergunta se naquela parada passa o ônibus XY-000. Havia pelo menos mais oito pessoas na parada.
5) Estou visitando pela primeira vez uma capital do Nordeste brasileiro. Estou acompanhada dos meus amigos locais, numa parada de ônibus lotada. O transeunte vem perguntar
para mim qual ônibus passa no bairro AiMeuDeusNãoSeiOnde.
Estes são só alguns exemplos. Sem mencionar o número de vezes em que sou abordada no meu local de trabalho (mais compreensível, uso crachá etc), principalmente quando há pessoas nos outros balcões que também estão disponíveis e o desifeliz vem parar
no meu para pedir informações.
O que ainda não foi descoberto pelos cientistas que pesquisam a SBI são os fatores necessários para que ela se desenvolva. Se alguém souber, tratar aqui.