Domingo, Outubro 04, 2009

Pequenas torturas diárias

Quando se vai aos mesmos lugares nos mesmos horários (principalmente usando o transporte público) quase invariavelmente se vai encontrar as mesmas pessoas. Logo na primeira semana do meu atual emprego, reparei que veria um certo pessoalzinho sempre (e que isso não necessariamente seria bom).

Conheci umas pessoas legais que me ofereciam comida, outras que me davam dicas de leitura e filmes, outras que demorei séculos até descobrir o nome (e de forma bem inusitada) e que são agradabilíssimas.

Mas tem um que peloamordedeus. Logo de cara me incomodou o fato de que ele é muito parecido fisicamente com o último indivíduo que de alguma forma posso chamar de "ex". Muito parecido mesmo. Isso ativou algo no meu cérebro responsável por liberar pensamentos de "que idiota eu sou" a cada cinco minutos, coisa nada agradável. Feliz era eu quando pensava que era só isso. O infeliz além de ser parecido com ele tem o mesmo jeito de falar e a mesma mania de conversar com todos que estão a seu redor, independente de conhecê-los ou não. E quando ele faz isso, ele fala com o ônibus inteiro. É um saco, não consigo ler, ele fala alto pra caramba. No meu "ex", isso era engraçado. Nesse cara, é só irritante demais. Não, ele não fala comigo. Acho que a essa altura do campeonato ele já se tocou que eu não vou nem um pouco com a cara dele. Sempre é difícil ler ou ouvir minha música quando o infeliz tá por perto.

Esse ônibus me leva pra onde mesmo? Ah, pro trabalho. Chego lá no novo horário velho e sou obrigada a conviver com uma pessoa que não me descia, não sei explicar bem porquê. Será que era a grosseria gratuita? Ou o corpo mole? Não sei. Sempre que podia, eu evitava ficar perto. Infelizmente, tem horas que não dá. E foi assim que eu percebi duas coisas: 1) o cara não é tão má pessoa assim. Aliás, ele não é má pessoa. Aliás, ele é até bem legal, e uma das pessoas mais sensatas daquele recinto agora, uma das poucas com quem consigo conversar com gosto. 2) O desgraçado tem praticamente o mesmo cheiro de uma das minhas últimas paixonites agudas. Um dos poucos cheiros que se eu pudesse colocava num vidrinho e guardava pra sempre.

Quer mais? Coloque uma pessoa que adora estar "em trânsito" pra trabalhar num local onde as pessoas viajam e ela fica. O quadro de torturas está quase completo agora.

Pode encomendar a sala de espelhos cheia de borboletas e mariposas, eu deixo.

3 comentários:

Lini disse...

Eu falo com todo mundo ao meu redor sem sentido para tanto, ALGUM PROBLEMA??!
;~
*mãos no bolso, baixa o olhar e movimenta o corpo estilo pendular*

Falo tanto com as pessoas que toda vez que vou na distribuidora de bebidas a dona me recomenda vinhos novos (isso porque geralmente eu compro cerveja lá...)

Clarissa disse...

Referencial é a palavra.

Rafael Formiga disse...

Já fiz amigos (e inimigos que desconhecem o fato) em ônibus e metrôs.

Mas normalmente eu odeio quando vêm falar comigo.

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